Ainda tenho algumas recaídas, mas consegui parar de chorar e tudo mais. Quer dizer, acho que não estou morrendo mais. Ou talvez sejam os remédios dando certo. Nessas recaídas, paro pra pensar se você sente minha falta, se pensa em mim quando ouve Pawn Shop Blues - "acho que essa deveria ser nossa música, só acho" - e se sente saudades. Penso em você sempre que vejo algo romântico, algo que eu sei que você gostaria e sei que não devia fazer isso. É como se eu me torturasse cada vez que penso em você... Ainda morro todos os dias esperando que você peça desculpas ou que eu consiga me sentir como alguém que não teve seu coração explodido.
Tento te odiar todos os dias, mas todos sabem que ódio é amor reprimido. Após uns quarenta anos, ainda pensarei em você e como eu esperava que estivesse comigo todo esse tempo, mas você nunca esteve. Ainda lembrarei de tudo que dissemos uma a outra e imaginarei se conseguiu se salvar de si mesma.
Em meio a meus devaneios, existe você sozinha e um reencontro nosso. Tomamos café e conversamos, evitamos cruzar os olhares... Mas é só isso, porque nenhuma de nós seria capaz de passar por tudo outra vez. De certa forma me sinto orgulhosa por ter te amado tanto, mas me sinto incapaz de voltar a ser suicida.
No momento, meu maior desejo é poder te ver novamente, quem sabe quando, e resistir ao efeito que você sempre teve sobre mim. Ainda não superei seu sorriso, mas fico cada dia melhor nessa coisa de te odiar.