Dia desses enquanto comíamos qualquer coisa direto da panela, naquele leva e trás entre panela e boca, Renato lembrou que sua mãe sempre dizia que isso estragava a comida, não podia fazer. Lembrei que minha vó também dizia: colher de boca "azeda" a comida. Comentei com naturalidade as palavras da minha vó, na certeza de que tudo que vó dizia devia ser verdade.
Foi aí que Renatinho perguntou entre seus risos debochados muito frequentes o por quê disso acontecer. Quer dizer, então você coloca uma colher um pouco sujinha de saliva e isso faz a comida azedar? Mas quem já viu isso acontecer de verdade?
Você já viu?
E você?
Você já?
Pra Renato é muito natural questionar o que te dizem. Por isso ele questionou por quê não podia beber,
por quê não podia fumar,
por quê não podia usar drogas,
por quê não podia ficar com um homem (esse pode de verdade),
por quê não podia lutar com assaltante,
por quê não podia entrar em carro de estranhos.
Parece aquele jogo de nove verdades e uma mentira, algumas ele acertava em arriscar. Felizmente também questionou por quê não podia entrar num terreiro e raspar seu cabelo pra Orixá. E foi se desafiando a fazer o santo que Renato encontrou os motivos pra não fazer (quase) tudo que um dia já disseram que ele não poderia fazer.
13 julho, 2017
05 julho, 2017
female energy
Você se lembra? Eu sinto falta. Não. Não de tudo que fazíamos e dos dias jogados fora. Sinto falta das conversas. Das ideias. As músicas, as séries, as risadas e como a gente sempre se escutava e se entendia.
Eu não entendo como as coisas mudam tão rápido, sempre mudaram muito rápido. A gente também falava sobre isso. Sobre tudo. Mas você é o mar. Como o pai disse é muito difícil conhecer suas profundezas. Tal qual o mar vem à praia e se vai, você também se foi. E tal qual Ela, você se esconde no fundo do mar. De todos.
Demorei muito pra escrever sobre isso e talvez seja muito mais sobre mim do que sobre você.
Eu não entendo como as coisas mudam tão rápido, sempre mudaram muito rápido. A gente também falava sobre isso. Sobre tudo. Mas você é o mar. Como o pai disse é muito difícil conhecer suas profundezas. Tal qual o mar vem à praia e se vai, você também se foi. E tal qual Ela, você se esconde no fundo do mar. De todos.
Demorei muito pra escrever sobre isso e talvez seja muito mais sobre mim do que sobre você.
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