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21 agosto, 2018

A mulher da minha vida

Por você chorei três vezes.
A primeira vez foi quando eu soube que acabaria: muito antes de acabar. O sentimento de que poderia ser a última vez me acompanhava todos os dias, sem saber quanto tempo levaria. Quando acabou, contudo, não chorei. Já havia acabado-não-acabando tantas inúmeras vezes, já havia acabado e havia deixado de acabar. Já havia dito pra sempre e nunca mais.
Pois quando acabou, não achei que acabaria. Mas acabou. E quando dei por mim de que era vero e havia acabado, chorei pela segunda vez. Chorei ao te ver indo embora, chorei quando te vi em sua nova casa, chorei todas as dezenas de vezes que soube que você estava sendo em outro lugar que não no meu cangote.
Hoje choro de novo porque quando minha namorada se foi, você, eu ainda tinha uma alma gêmea. Porque nunca confiei em ninguém mais que em você. Nem em mim mesma. Confiei tanto... Que eu deixei de ser eu mesma porque gostava mais de você. E não sabia... Não sabia que era errado gostar mais de te ver sendo do que eu mesma ser. Agora, choro pela terceira vez: não mais porque perdi uma lover, mas porque me sinto perdendo a mulher da minha vida.


19 agosto, 2018

Mario Benedetti

Bienvenida
Se me ocurre que vas a llegar distinta
no exactamente más linda
ni más fuerte
                      ni más dócil
                                          ni más cauta
tan sólo que vas a llegar distinta
como si esta temporada de no verme
te hubiera sorprendido a vos también
quizá porque sabes
como te pienso y te enumero
 
después de todo la nostalgia existe
aunque no lloremos en los andenes fantasmales
ni sobre las almohadas de candor
ni bajo el cielo opaco
 
yo nostalgio
tú nostalgias
y como me revienta que él nostalgie
 
tu rostro es la vanguardia
tal vez llega primero
porque lo pinto en las paredes
con trazos invisibles y seguros
 
no olvides que tu rostro
me mira como pueblo
sonríe y rabia y canta
como pueblo
y eso te da una lumbre
                                       inapagable
 
ahora no tengo dudas
vas a llegar distinta y con señales
con nuevas
                  con hondura
                                       con franqueza
 
sé que voy a quererte         sin preguntas
sé que vas a quererme         sin respuestas.

20 de abril de 2016

Quando bate aquela saudade
Ou
A long time ago but yet nowadays

Não tem nada que descreva tudo que acontece aqui dentro nesses dias. Perco horas do dia procurando algo que me satisfaça e me ajude a chegar a alguma conclusão que me faça seguir em frente e todos os dias me convenço de que tudo já passou e todos os dias me engano achando que esse amor um dia vai passar. Dizer que cê foi uma péssima namorada, saber todos os dias que chorei por medo de te perder ou por saber que não tinha outro jeito, entender e ouvir todos os domingos que mesmo eu te querendo eu sei que isso não vai me fazer bem agora não me faz te querer menos. 
Tentei no início me manter distante de você porque acho que nada é tão difícil pra mim quanto te encontrar e saber que tudo que eu sonhei não vai acontecer mais, ou que eu nunca mais vou sentir teu calor e sua respiração mudar quando minha pele toca a sua, quando minha mão toca a sua, nossas bocas, línguas, corpos em combustão instantânea, mas sem fim. 
Olhar pra ti é lembrar de todas suas coisas favoritas (que eu sei e me lembro): chuchu, tomate, temaki, ovomaltine; que você não gosta de milho e que cê me ensinou a usar menos sal; da sua mania de se esquecer de enxaguar as axilas, o pescoço, atrás da orelha; é lembrar de todas as vezes que dormimos juntas, de todas as madrugadas que passamos conversando, de todos os dias que passamos transando, de todas as vezes que eu  jurei pra mim mesma que era só uma maré ruim e que a gente ia conseguir, que a gente tinha que conseguir, que eu nunca na vida quis tanto estar com alguém.
Mas olhar pra ti também é lembrar que eu sofri, que ainda sofro um pouquinho todos os dias por saber que não posso estar com você, é lembrar que você precisou estar com outras pessoas pra começar a entender tudo que eu tentei te explicar naqueles quase oito meses.
E tudo que a gente programou, tudo que a gente ia realizar até o final dessa lua grande não vai mais acontecer. E a saudade que me dilacera constantemente quando a gente se encontra e eu sei que vou ter que guardar todos os beijos que eu queria te dar pro resto da vida. A saudade que eu sinto é maior que toda a angústia de ter que te ver como amiga e saber que você já superou, que cê já tá em outras, que um dia cê vai fazer planos com outra mina e contar pra ela tudo que eu já sei e até mais, que a Sofia não vai mais ser minha filha e que nossa viagem pro Chile nunca vai acontecer. 
Permanecer perto de ti é mais que apenas um querer, é uma necessidade do que me faz bem, desse turbilhão de sentimentos que me confundem e esse furacão no meu coração que me devasta e o sorriso que não consigo segurar assim que noto sua presença. A tua presença, desde sempre e pra sempre, entra pelos sete buracos da minha cabeça e paralisa o momento onde tudo começa, desintegra e atualiza a minha presença, envolve o meu tronco, meus braços e minhas pernas e me faz permanecer intacta em tudo que sinto, e ainda segurar todos os impulsos do meu corpo que - entre tremeliques - anseia outros encontros com o seu. A tua presença é a coisa mais bonita em toda a natureza. Obrigada por ficar, mesmo não sendo da forma que eu esperava.