Ou
A long time ago but yet nowadays
Não tem nada que descreva tudo que acontece aqui dentro nesses dias. Perco horas do dia procurando algo que me satisfaça e me ajude a chegar a alguma conclusão que me faça seguir em frente e todos os dias me convenço de que tudo já passou e todos os dias me engano achando que esse amor um dia vai passar. Dizer que cê foi uma péssima namorada, saber todos os dias que chorei por medo de te perder ou por saber que não tinha outro jeito, entender e ouvir todos os domingos que mesmo eu te querendo eu sei que isso não vai me fazer bem agora não me faz te querer menos.
Tentei no início me manter distante de você porque acho que nada é tão difícil pra mim quanto te encontrar e saber que tudo que eu sonhei não vai acontecer mais, ou que eu nunca mais vou sentir teu calor e sua respiração mudar quando minha pele toca a sua, quando minha mão toca a sua, nossas bocas, línguas, corpos em combustão instantânea, mas sem fim.
Olhar pra ti é lembrar de todas suas coisas favoritas (que eu sei e me lembro): chuchu, tomate, temaki, ovomaltine; que você não gosta de milho e que cê me ensinou a usar menos sal; da sua mania de se esquecer de enxaguar as axilas, o pescoço, atrás da orelha; é lembrar de todas as vezes que dormimos juntas, de todas as madrugadas que passamos conversando, de todos os dias que passamos transando, de todas as vezes que eu jurei pra mim mesma que era só uma maré ruim e que a gente ia conseguir, que a gente tinha que conseguir, que eu nunca na vida quis tanto estar com alguém.
Mas olhar pra ti também é lembrar que eu sofri, que ainda sofro um pouquinho todos os dias por saber que não posso estar com você, é lembrar que você precisou estar com outras pessoas pra começar a entender tudo que eu tentei te explicar naqueles quase oito meses.
E tudo que a gente programou, tudo que a gente ia realizar até o final dessa lua grande não vai mais acontecer. E a saudade que me dilacera constantemente quando a gente se encontra e eu sei que vou ter que guardar todos os beijos que eu queria te dar pro resto da vida. A saudade que eu sinto é maior que toda a angústia de ter que te ver como amiga e saber que você já superou, que cê já tá em outras, que um dia cê vai fazer planos com outra mina e contar pra ela tudo que eu já sei e até mais, que a Sofia não vai mais ser minha filha e que nossa viagem pro Chile nunca vai acontecer.
Permanecer perto de ti é mais que apenas um querer, é uma necessidade do que me faz bem, desse turbilhão de sentimentos que me confundem e esse furacão no meu coração que me devasta e o sorriso que não consigo segurar assim que noto sua presença. A tua presença, desde sempre e pra sempre, entra pelos sete buracos da minha cabeça e paralisa o momento onde tudo começa, desintegra e atualiza a minha presença, envolve o meu tronco, meus braços e minhas pernas e me faz permanecer intacta em tudo que sinto, e ainda segurar todos os impulsos do meu corpo que - entre tremeliques - anseia outros encontros com o seu. A tua presença é a coisa mais bonita em toda a natureza. Obrigada por ficar, mesmo não sendo da forma que eu esperava.
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